A desordem no homem moderno I

Nota ao leitor: este artigo deriva de um trabalho de conclusão de curso na pós-graduação em Psicologia Tomista e se dirige principalmente a psicólogos e terapeutas interessados na integração entre clínica e antropologia filosófica.

O primeiro discute-se assim. – Parece que o relativismo moral não é um fator de desordenação no homem moderno.

1. – Pois, não tem como existir verdade absoluta quando esta varia de acordo com percepções individuais, produto de experiências vivenciadas por cada pessoa. O ser humano é a medida de todas as coisas, da existência das coisas que são e da não existência das coisas que não são 1, segundo Protágoras2. Logo, relacionar o conceito de algo com a experiência vivida, tal como aparece ao homem dentro de uma dimensão individual, não é validada ou invalidada frente ao parecer de outro, sendo apenas relativo e subjetivo a interesses ou necessidades dos indivíduos envolvidos numa mesma experiência. Logo o relativismo moral não pode ser um fator de desordenação no homem moderno.

2. – Demais. – A proposta nietzschiana3 também coloca o homem no centro, entendendo a moral como uma criação humana na qual as pessoas transitam entre os valores conforme as suas necessidades. A moralidade não é outra coisa (portanto, antes de tudo, nada mais) senão a obediência aos costumes, sejam eles quais forem; ora, os costumes são a maneira tradicional de agir e de avaliar 4. Deste modo, o filósofo entende que a moral é definida por quem tem a posse do poder por mais tempo, internalizada por todos os envolvidos durante longos períodos – costumes, e por isso não pode ser questionada sem represálias.


Psicóloga com mais de 9 mil horas de prática clínica

“Acredito que o processo só transforma quando buscamos a verdade. Sem isso, não há clareza, não há presença, não há direção.”

Dayse Hirakawa



3. – Demais. – O homem possui desejos inconscientes – id, que entram em conflito com as normas internalizadas – superego5 . Ao terem esses impulsos reprimidos, e não encontrando um equilíbrio entre eles e as normas sociais, gera-se no homem ansiedade, culpa e neuroses. Freud6 entende que a consciência moral e os sentimentos éticos são frutos da convivência em sociedade, ou seja, aprendidos, e se justificam pela necessidade de sobrevivência da espécie7.

4. – Demais. – O homem é um ser livre para criar os seus próprios valores e fazer suas escolhas que devem ser analisados em seu contexto particular. Segundo Sartre8, a liberdade nada mais é do que uma escolha que cria suas próprias possibilidades (…) e o único ser que podemos chamar de livre é aquele que nadifica o seu ser 9. Para ele a existência vem primeiro, e a essência em segundo, moldada pela subjetividade. Não existindo uma natureza humana pré-definida que determine nossas ações.

Mas, em contrário, diz São Tomás de Aquino10:

à lei natural pertence aquilo a que o homem naturalmente se inclina; e nisso se inclui a sua inclinação própria a agir segundo a razão. (…) a verdade se manifesta sem nenhuma exceção, tanto nas conclusões particulares, como nos princípios gerais 11.

SOLUÇÃO. – Podemos demonstrar que o relativismo é um fator de desordenamento moral e intelectual do homem por duas razões: primeira, porque a natureza racional do homem exige que ele conheça a verdade das coisas de modo objetivo; ora, a operação própria do intelecto é a conformidade com a realidade, a qual supõe a adesão a princípios primeiros e universais, como o princípio de identidade e o de não contradição, sem os quais não há sequer conhecimento possível. Segunda, porque o homem só pode ordenar sua vida moral se conhecer o bem, e por consequência, o mal, não segundo os afetos ou desejos subjetivos, mas segundo a ordem objetiva do ser. Dado que se assim não fosse nunca se poderia falar em desordem, doença, mérito ou pena para o homem ou para sociedade, implicando na ruína da própria possibilidade de vida ética e política ordenada.

Isso porque, essa ordenação natural à verdade e ao bem não é um construto cultural, mas decorre da constituição ontológica do ser humano tal como foi criado. […] criou Deus o homem à sua imagem: criou-o à imagem de Deus, e criou-os macho e fêmea 12. No sexto dia da criação, os seres humanos foram criados. Orígenes13 nos ilumina afirmando que a figura do nosso corpo não contém a imagem de Deus. É o nosso homem interior, invisível, incorpóreo, incorruptível e imortal, que foi feito à imagem e semelhança de Deus 14. Ou seja, o homem foi feito à imagem dEle porque possui razão e livre-arbítrio, e porque foi criado livre e autônomo15. Também diz Aristóteles16: a característica específica do homem em comparação com outros animais é que somente ele tem o sentimento 17 do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais 18. Sendo assim, é através da faculdade da razão que temos a capacidade de conhecer a realidade tal como é, evidenciando o verdadeiro do falso. Contudo, o filósofo nos recorda:

o conhecimento e a sensação se distinguem em relação às coisas: por um lado, em potência, em relação às coisas em potência e, por outro lado, em efetividade, em relação às coisas em efetividade. E a capacidade sensitiva é cognoscitiva da alma sensitiva em potência (…) mas ela descobre só um cognoscível, o passo que a outra, o sensível. É necessário então, que (se a capacidade da alma) seja ou as próprias almas ou as próprias coisas, ou as formas das próprias coisas, já que a pedra que está na alma, mas sim a sua forma. Consequentemente, a alma é tal como a mão: pois esta é o instrumento dos instrumentos, e também o intelecto é a forma das formas, bem como a sensação é a forma dos sensíveis 19.

Isto é, para conhecer a realidade percebemos o mundo ao nosso redor por meio dos sentidos, que captam aquilo que é concreto. Mas, é o intelecto que nos permite ir além do que é sensível, abstraindo as formas universais, tornando-as inteligíveis. O conhecimento intelectual, portanto, não se detém no sensível, mas alcança a essência daquilo que é, em termos próprios, o que a coisa é em si mesma. Assim, ao apreender a forma da coisa e julgá-la conforme aquilo que de fato é, o intelecto realiza seu ato próprio: a adaequationem rei et intellectus 20.

Também a vontade humana precisa de critérios objetivos e universais, para querer o bem das coisas. O Doutor Angélico esclarece:

o princípio da bondade e malícia dos atos humanos procede de um ato da vontade. E portanto, a bondade e a malícia desta se fundam nalguma unidade, ao passo que a bondade e a malícia dos outros atos podem advir-lhes de origens diversas. (…) Logo, a bondade da vontade depende unicamente do que torna o ato essencialmente bom, isto é, do objeto, e não das circunstâncias, acidentes do ato 21.

E reforça: a bondade da vontade depende propriamente do objeto, e este lhe é proposto pela razão 22. Na ordem do agir, então, o homem pode inclinar-se para o bem universal no qual é apreendido pela razão, ou para um bem particular no qual é apreendido pelos sentidos. Quando os apetites sensíveis23 tornam-se mais fortes do que a razão, o intelecto pode ser obscurecido e perder a clareza sobre o que realmente é bom. Nesses casos, o homem se engana, tomando por bem aquilo que, na verdade, é mal, apenas porque lhe parece agradável ou desejável naquele momento24. Logo, a sensibilidade não pode fundamentar o juízo moral: o bem não se define pela experiência subjetiva, mas pela conformidade da vontade à razão e da razão à realidade.

Além disso, é impossível ao mesmo tempo afirmar e negar verdadeiramente, também é impossível que os contrários sejam o caso ao mesmo tempo 25. A verdade é sempre a mesma, seja em relação ao sujeito que conhece, seja em relação ao objeto do conhecimento. Esta é uma daquelas verdades que são evidentes, indemonstráveis e a base para todas as ciências. Só a compreensão desta verdade já refutaria todo e qualquer relativismo.

Ainda que o homem seja capaz de acessar a verdade, ele não tem autoridade para defini-la ou criá-la com base em sua percepção subjetiva ou suas necessidades. Pelo contrário, quando guiado pela razão reconhece a ordem objetiva do mundo, na qual São Tomás de Aquino chamou de lei eterna26, e participa dela através da lei natural27. Com base nisso, a ordem moral pressupõe uma conformidade entre a razão prática, os princípios morais naturais que a razão humana é capaz de conhecer28, e uma submissão livre da vontade humana a esses princípios.

Segue-se, então, que reconhecer a verdade objetiva e a lei natural implica também reconhecer que a vida humana possui um fim último, ao qual ela deve se ordenar. Segundo Aristóteles, também o homem tem o seu propósito ou a sua causa final:

se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vistas em outra, porque, então, o processo se repetiria ao infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar, evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem 29.

Fim este, que é o cumprimento de sua perfeição, o bem que sacia e satisfaz plenamente sua vontade (…) a felicidade deve ser “o bem perfeito e suficiente” do homem 30. Lembrando que, para Santo Tomás, nesta vida haverá apenas uma participação na bem-aventurança, a felicidade imperfeita.

Só que ao nos deixarmos tomar pela ausência de valores objetivos, ou pela relativização dos valores morais considerando estes subjetivos, por conseguinte, negamos a nossa própria natureza ordenada a um fim. Logo, se não há um bem objetivo, qualquer escolha parece válida31. É o que vemos na contemporaneidade, que está marcada pelo consumismo desenfreado, no qual a satisfação do homem tem pouca durabilidade32 e evidencia quão perdido está. Assim também, se não existe um sentido, um propósito maior, a vida parece vazia. As pessoas têm o suficiente com o que viver, mas não têm nada por que viver; têm os meios, mas não têm o sentido 33. E erroneamente busca pela satisfação no que é corpóreo – apetites sensíveis. Seligmann34 esclarece:

o prazer corporal nem pode ser consequência da felicidade, porque segue um bem que busca sentido, que é a potência da alma que usa o corpo. E se o prazer é causado porque os sentidos percebem um bem conveniente ao corpo, o prazer corporal não só não é felicidade, mas também não é um acidente dela; porque o bem do corpo não pode ser o bem perfeito do homem, visto que é mínimo em comparação com a alma 35.

Ou ainda, o homem pode limitar a busca pela felicidade (imperfeita) numa falsa ideia de liberdade. Diz Fromm36:

os princípios do liberalismo econômico, a democracia política, a autonomia religiosa, e o individualismo na vida pessoal, davam expressão ao desejo de liberdade e, ao mesmo tempo, pareciam aproximar a humanidade da sua realização (…) o homem derrubara o domínio da natureza e tornar-se senhor dela, derrubara o domínio da Igreja e do Estado absolutista 37 (…) no entanto, o homem moderno continua angustiado e tentado a ceder sua liberdade a todos os tipos de ditadores, ou a perdê-la, transformando-se numa peça na engrenagem da máquina, bem alimentado e bem vestido, mas não um homem livre e, sim, um autômato 38.

Observa-se como tais pensamentos nos leva a uma distorção da realidade, da natureza humana e consequente perda de uma ordem moral clara e coesa, gerando um incômodo, uma estranheza, e caminhando para o que chamamos de vazio existencial39. Com essa confusão moral, e consequente perda do sentido da vida e da razão de suas ações, faz com que os comportamentos de uma pessoa sejam afetados, e a insegurança, a angústia e a desesperança se façam presente no seu dia a dia. Ao invés do homem perceber-se livre, por negar a existência da ordem moral natural e praticar suposta “liberdade”, este torna-se escravo dos vícios40 e, consequentemente, adoece. O homem enquanto tal, na medida em que é espírito, é sujeito livre, o que não significa que ele possa cumprir o bem sem o conhecer 41. Pois a moralidade objetiva não é apenas um guia para as ações externas, mas um princípio de unidade e de significado para a vida humana42. E para a bem-aventurança perfeita é necessário que o entendimento alcance a própria essência da causa primeira 43.

Portanto, resta claro que negar a ordem objetiva da verdade e do bem, abraçando o relativismo, adoece o homem por afastá-lo de si mesmo enquanto ser racional e livre. Somente na conformidade com a verdade e com o bem universal se encontra a ordem do agir humano e a sua verdadeira realização.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A verdade não depende da percepção de cada indivíduo, pois comprometeria a possibilidade de um conhecimento objetivo e sistemático do todo. A verdade é objetiva e universal, devendo ser descoberta através da razão e da análise lógica. Dizer que aquilo que é, é, ou que aquilo que não é, não é, é verdadeiro 44, diz Aristóteles. Para ele, compreender a realidade é conhecer a causa do que se busca entender. Seja ela material – isto é, do que é feito a coisa, formal – a saber, a forma e a definição que a coisa é, eficiente – que é o processo de onde advém o movimento que a matéria é, e a forma e que causa a existência, e final – ou seja, aquilo para o qual a coisa é feita, o seu propósito ou finalidade. Assim, a verdade não pode ser apenas uma questão de aperceber o que é evidente, mas de investigar as causas universais.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A moralidade não pode ser comparada aos costumes e tradições, pois segundo MacIntyre45, estes formam o contexto necessário para inteligibilidade e funcionalidade do que é bom e virtuoso. Dentro da cultura central do individualismo liberal ou burocrático, novas concepções das virtudes emergem, e o próprio conceito de virtude é transformado 46. Ainda assim, a moralidade continua sendo um conjunto de virtudes que se manifestam e devem ser praticadas em todas as culturas.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Não é o conflito entre as normas morais objetivas – como as da lei natural – e seus desejos sensíveis, que adoece o homem. Mas o enfraquecimento da vontade e da responsabilidade47. Quando o homem passa a seguir mais os próprios desejos do que o bem e a verdade, sua vontade se debilita e, por consequência, toda a sua vida interior se desordena. Conforme o parecer de Fabro48, com a ausência de valores objetivos, o homem passa a ver a vida como algo sem um sentido intrínseco49, afinal tudo passa a ser subjetivo e relativo. O que resulta é um vazio existencial, gerando angústia e desespero. Tal qual, sem referência objetiva e critério superior da moral, a identidade pessoal torna-se instável e contraditória, e a desresponsabilização moral gera uma erosão da autodisciplina e do caráter, dificultando as relações.

RESPOSTA À QUARTA. – O homem possui uma tendência natural para agir de acordo com a razão, isto é, orientado por uma ordem moral interna que é refletida em suas capacidades racionais. Participa da razão eterna, donde tira a sua inclinação natural para o ato e o fim 50, diz São Tomás de Aquino. Independente da cultura ou educação específica, pois trata-se da sua natureza enquanto ser humano. O bem é o primeiro objeto da apreensão da razão prática, ordenada para a ação; pois, todo agente obra em vista de um fim que é, por essência, um bem 51. Ao contrário do que propõe Sartre, o homem necessariamente age em vista de um fim, pois sua liberdade não é autônoma ou criadora de essência, mas efeito da sua natureza racional, conforme participa da razão eterna.

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  1. Platão. Diálogos I – Teeteto (ou do Conhecimento), Sofista (ou do Ser), Protágoras (ou Sofistas). Tradução de Edson Bini. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2017, Livro VII, 217c. ↩︎
  2. Protágoras de Abdera (490 a.C.-420 a.C.) foi um dos maiores sofistas da Antiguidade e defensor da verdade relativa ao indivíduo ou à comunidade. A maioria de seus escritos foram perdidos, e seus pensamentos sobreviveram por meio de citações e análises de outros autores, como Platão, Aristóteles, Sexto Empírico e Diógenes Laércio. ↩︎
  3. A proposta do filósofo Friedrich Nietzsche, conforme está em seu livro A genealogia da moral (2013), propõe o questionamento da moral ao invés de apenas segui-la (criticando sobretudo a cristã ocidental, analisando o seu status metafísico universal; entendendo como princípio de que esta é definida e arquitetada pelo homem que está no poder de acordo com sua visão de mundo e necessidade particular. ↩︎
  4. Nietzsche, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Paulo César de Souza. 5. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, Parte I, Aforismo 96. ↩︎
  5. Freud desenvolveu os conceitos de Id, Ego e Superego, e explica em seu livro O Ego e o Id (1996), que o ser humano possui impulsos primitivos e desejos inconscientes, que funcionam segundo o princípio do prazer, buscando uma satisfação imediata. No entanto, nem sempre essa busca é aceitável socialmente, e por isso temos a atuação de um mediador, o Ego. Este, seguindo o princípio da realidade, busca atender os desejos do Id de forma adaptada de acordo com as práticas na sociedade. E o Superego atua como uma consciência que impõe a moralidade e os valores internalizados pela sociedade. Sendo assim, temos um conflito, uma luta psíquica entre os três, no sentido de reprimir o Id. ↩︎
  6. Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico neurologista e fundador da psicanálise, considerado uma figura influente do século XX na psicologia moderna. Ele acreditava que os pensamentos e comportamentos humanos são influenciados por desejos inconscientes reprimidos de uma natureza sexual ou agressiva. ↩︎
  7. Freud fala sobre o surgimento da culpa associado a repressão de impulsos agressivos no capítulo VI em seu livro Obras completas volume 18: O mal-estar na civilização e outros textos (2010). E aprofunda-se na temática no capítulo VII, entendendo o sofrimento como consequência de restrições impostas pelo meio, com o objetivo de garantir o bem-estar coletivo da espécie. ↩︎
  8. Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo reconhecido como representante do existencialismo e do humanismo do século XX. Seu pensamento tem forte influência da fenomenologia de Husserl e Heidegger, girando em torno de temas como a liberdade, a responsabilidade individual e da relação do homem com o mundo. ↩︎
  9. Sartre, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2015, Pág. 694. ↩︎
  10. São Tomás de Aquino (1225-1274) teólogo, filósofo e doutor da Igreja que buscou conciliar a fé cristã com a razão, principalmente por meio do pensamento de Aristóteles. Tem grande destaque na história do cristianismo, conhecido como Doutor Angélico, sendo também um dos principais representantes da Escolástica. ↩︎
  11. Suma Teológica, Ia-IIae q. 94, artigo 4. ↩︎
  12. Bíblia Sagrada. Tradução de Pe. Matos Soares a partir da Vulgata Clementina (1927-1932). Dois Irmãos: Minha Biblioteca Católica, 2023, Gênesis 1, 27. ↩︎
  13. Orígenes (185 d.C-253 d.C.), teólogo e filósofo cristão do século III, nasceu em Alexandria no Egito e é considerado um dos mais influentes padres da Igreja, contribuindo especialmente na interpretação alegórica das Sagradas Escrituras. ↩︎
  14. Bíblia Sagrada. ref.12, Pág. 30. ↩︎
  15. São João Damasceno, em A Fé Ortodoxa, dentre as muitas explicações sobre a fé cristã, ensina-nos sobre a criação do homem e o que significa ser à imagem e semelhança de Deus, reforçando que a liberdade é uma característica inata ao homem dada por Ele. ↩︎
  16. Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) filósofo grego e discípulo de Platão, foi um dos fundadores da filosofia clássica e da ciência. Ele compreendia que a Eudaimonia é o fim último da vida humana e só pode ser alcançada através de uma vida virtuosa. ↩︎
  17. Veja que, neste contexto Aristóteles utiliza a palavra ‘sentimento’ e, para uma melhor compreensão dentro da visão aristotélico-tomista se faz importante esclarecer que ele se refere à intelecção. ↩︎
  18. Aristóteles. Política. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985, Livro I, 1253a. ↩︎
  19. Aristóteles. De Anima. Tradução de Lucas Angioni. Campinas: Textos Didáticos IFCH/UNICAMP, nº. 38, 1999, Livro III, 431ab24. ↩︎
  20. ‘A adequação da coisa e do intelecto’. – De Veritate, q. 1, artigo 1, corpus. ↩︎
  21. Suma Teológica, Ia-IIae q. 19, artigo 2. ↩︎
  22. Suma Teológica, Ia-IIae q. 19, artigo 3. ↩︎
  23. Os apetites sensíveis são inclinações da alma humana em busca de bens sensíveis e/ou evitação de males também sensíveis. Para Aristóteles e S. Tomás de Aquino, tais apetites não são ruins em si mesmos, entretanto a sua ordenação através da razão se faz necessária, ao modo que não direcione o homem ao vício. ↩︎
  24. Note que a busca pelo bem, belo e verdadeiro está presente no homem, ainda que este se deixe guiar erroneamente pelo sensível ao invés da reta razão. ↩︎
  25. Aristóteles. Metafísica. Tradução de Edson Bini. 2. ed. São Paulo: Edipro, 2012, Livro IV, 1011b13. ↩︎
  26. Na Suma Teológica, Ia-IIae questão 91, artigo 1, cita-se Sto. Agostinho que diz: A Lei, que é chamada de razão suma, não pode deixar de ser considerada imutável e eterna por todo ser inteligente. E São Tomás reafirma que é manifesto que toda a comunidade do universo é governada pela razão divina, como fizera na Primeira Parte (Ia). ↩︎
  27. S. Tomás de Aquino explica que a lei natural é a participação do homem na lei eterna. É um princípio moral universal que guia o homem a agir de acordo com sua natureza e finalidade. Esse conceito já está presente em Platão, Aristóteles e Zenão. ↩︎
  28. O Doutor Angélico diz: entre todas as criaturas, a racional está sujeita à Divina Providência de modo mais excelente (…) portanto, participa da razão eterna, donde tira a sua inclinação natural para o ato e o fim devidos (Suma Teológica, Ia-IIae q. 91, artigo 2). ↩︎
  29. Aristóteles. A Ética a Nicômaco. Tradução de Edson Bini. 4. ed. São Paulo: Edipro, 2018, Livro I, 2. ↩︎
  30. Seligmann, Zelmira. A Felicidade em Sigmund Freud e Santo Tomás de Aquino. Instituto de Psicologia Tomista, 2023. Disponível em: https://institutopsicologiatomista.com.br/a-felicidade-em-sigmund-freud-e-santo-tomas-de-aquino/. ↩︎
  31. Suma Contra os Gentios, III, cap. II, 7. ↩︎
  32. Cunha Aguiar, Magna Helena; Mattos de Andrade, Ana Maria. Vazio Existencial e Sofrimento Psíquico na Vida Contemporânea: a busca de sentido. Cadernos de Psicologia, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.13750792. ↩︎
  33. Frankl, Viktor. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Tradução de Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 56. ed. Petrópolis: Vozes, 2022, Pág. 164. ↩︎
  34. Zelmira Seligmann, doutora em Filosofia pela Universidade Pontifícia “Regina Apostolorum” de Roma, Itália, licenciada em Psicologia e professora de Psicologia e Pedagogia, títulos outorgados pela Pontifícia Universidade Católica Argentina “Santa María De Los Buenos Aires”. ↩︎
  35. Seligmann, Zelmira. ref. 30. ↩︎
  36. Erich Fromm (1900-1980) foi psicanalista, sociólogo e filósofo humanista. É conhecido por integrar a psicanálise freudiana com ideias do existencialismo e do marxismo humanista. ↩︎
  37. Fromm, Erich. Medo da Liberdade. Tradução de Pedro Elói Duarte. Coimbra: Edições 70, 2023, Pág. 10-11. ↩︎
  38. Fromm, Erich. ref. 37, Pág. 5. ↩︎
  39. O conceito de vazio existencial do psiquiatra e neurologista Viktor Frankl, aponta para uma falta de sentido no ser. É caracterizado por um sentimento de inutilidade, tédio, com a vida perdendo o sentido. Sintomas estes também presentes no quadro de depressão, segundo o DSM-5. É uma neurose em massa da atualidade, pode ser descrito como forma privada e pessoal de niilismo; o niilismo por sua vez pode ser definido como a posição que diz não ter sentido o ser (Frankl, Viktor. ref. 33, pág. 151). ↩︎
  40. Se a virtude é um hábito bom que direciona o homem ao bem, o vício é um hábito mau que o inclina para o mal. Enquanto a virtude aprimora a razão e a vontade na busca pelo bem, o vício desordena, e resulta na escravidão de paixões desordenadas. ↩︎
  41. Calvet da Silveira, Carlos Frederico Gurgel. Cornélio Fabro, intérprete de Santo Tomás. Aquinate, 2006. Disponível em: https://www.aquinate.com.br/wp-content/uploads/2016/11/artigo-frederico-cornelio-fabro-interprete.pdf. ↩︎
  42. Cornélio Fabro entende que a moralidade não apenas regula o comportamento do homem, mas também une a sua vida com a ordem e com um fim transcendente, fazendo referência à relação do homem com Deus. Corroborando com os ensinamentos de S. Damasceno: sendo o homem criatura do Criador à sua imagem, também é natural que a Ele retorne à sua semelhança. ↩︎
  43. Seligmann, Zelmira. ref. 30. ↩︎
  44. Aristóteles. ref. 25, Livro IV, 1011b 23. ↩︎
  45. Alasdair MacIntyre, filósofo escocês nascido em 1929, conhecido por sua crítica à moralidade moderna, e defesa da ética baseada nas virtudes. Em sua obra mais conhecida Depois da Virtude (1981), examina o declínio das tradições morais na sociedade moderna, revisitando e refutando pensamentos filosóficos à luz das tradições filosóficas antigas. ↩︎
  46. MacIntyre, Alasdair. Depois da virtude: um estudo sobre teoria moral. Tradução de Pedro Arruda e Pablo Costa. 1. ed. Campinas: Vide Editorial, 2021, Pág. 327. ↩︎
  47. Para Fabro, seguindo os ensinamentos de S. Tomás de Aquino, a vontade humana é orientada para o bem. Porém, o pensamento moderno progressivamente vem dissolvendo essa visão, buscando substituir por uma ideia vazia de liberdade sem referência objetiva ao bem e à verdade. Ele explica em Introduzione all’ateismo moderno (1969) que isso faz com que a vontade não seja mais guiada pela razão e pela verdade objetiva, afastando o ser de sua essência e tornando-se escravo de suas paixões e circunstâncias históricas. É tão preocupante quanto, é a crise da responsabilidade moral, resultado da ignorância do homem frente a dependência do Ser absoluto (Deus), negando a objetividade dos atos humanos. ↩︎
  48. Pe. Cornélio Fabro (1911-1995) filósofo e teólogo, reconhecido principalmente por seu trabalho sobre Tomismo e por suas reflexões sobre a fenomenologia. É um crítico das correntes filosóficas modernas, em especial do idealismo e fenomenalismo. ↩︎
  49. Fabro, Cornélio. A ordem moral em 19 teses. Aquinate, 2009. Disponível em: https://www.aquinate.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Artigo-2-Fabro.pdf. ↩︎
  50. Suma Teológica, Ia-IIae q. 91, artigo 2. ↩︎
  51. Suma Teológica, Ia-IIae q. 94, artigo 2. ↩︎

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2 Comentários

  • Willian Kalinowski

    Parabéns pelo conteúdo, minha cara! Muito bom! Que Deus te ajude a continuar nessa batalha pela formação da pessoa humana sem relativismos e com boa psicologia moral.

  • Tiago

    Li o seu artigo, Dayse, e fiquei realmente impressionado. Você consegue mostrar, de um jeito muito claro, que muita coisa que a gente chama de “emocional” na verdade vem de uma perda mais profunda. O que mais me pegou foi ver como as críticas que você traz (aos pensamentos de Freud, Nietzsche e outras leituras) batem exatamente com o que a gente vive no dia a dia, mesmo sem perceber. Foi como juntar peças de um quebra-cabeça que estavam espalhadas há anos. É um conteúdo que instiga, mas também organiza. Ainda assim, vou precisar reler com calma, porque tem muito mais aqui do que parece à primeira vista. É ouro transformado em palavras. Obrigado por partilhar seu conhecimento, Dayse! Isso faz diferença para quem busca compreender a própria vida e também cuidar, com mais seriedade, de pessoas em terapia.

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